Térmica
Qualidade do ar interior
Auditoria energética
Dados Gerais
Tipologia: Serviços - residência de estudantes;
Área útil: 392m2;
Zona Climática: I3, V2N;
Orientação solar do alçado principal: sensivelmente a Norte;
Inércia Térmica: média.
Térmica
• Envolvente Opaca
Parede exterior
Parede exterior com 37 cm de espessura, constituída (do exterior para o interior) por: camada de reboco tradicional com 2 cm de espessura (condutibilidade térmica de 1,3 W/m.ºC), pano de alvenaria de tijolo furado com 15 cm de espessura (resistência térmica de 0,38 m2.ºC/W), caixa-de-ar com 3 cm de espessura (resistência térmica de 0,18 m2.ºC/W), camada de isolamento térmico em poliestireno extrudido com 4 cm de espessura (condutibilidade térmica de 0,037 W/m.ºC), pano de alvenaria de tijolo furado com 11 cm de espessura (resistência térmica de 0,27 m2.ºC/W), camada de reboco tradicional ou revestimento cerâmico (nas zonas húmidas) com 2 cm espessura (condutibilidade térmica de 1,3 W/m.ºC).
PTP exterior
Ponte térmica plana exterior, constituída (do exterior para o interior) por: camada de reboco tradicional com 2 cm de espessura (condutibilidade térmica de 1,3 W/m.ºC), elemento de betão armado com 25 cm de espessura (condutibilidade térmica de 2,3 W/m.ºC), camada de isolamento térmico em poliestireno extrudido com 4 cm de espessura (condutibilidade térmica de 0,037 W/m.ºC), forra cerâmica em tijolo furado com 4 cm de espessura (resistência térmica de 0,10 m2.ºC/W), camada de reboco tradicional ou revestimento cerâmico (nas zonas húmidas) com 2 cm de espessura (condutibilidade térmica de 1,3 W/m.ºC).
Cobertura exterior
Cobertura exterior inclinada constituída (do interior para o exterior) por: placas de gesso cartonado com 13 mm de espessura (condutibilidade térmica 0,25 W/m.ºC), seguido de isolamento térmico com painéis em lã mineral com 8 cm de espessura (condutibilidade térmica 0,040W/(m.ºC)), placa de contraplacado marítimo 30mm de espessura, subtelha, ripa de PVC e telha cerâmica de cor vermelha.
Parede interior
Parede interior dupla em alvenaria de tijolo furado de 15 e 11 cm, caixa-de-ar totalmente preenchida com 60mm de isolamento em lã mineral (condutibilidade térmica 0,040W/(m.ºC)). A parede é rebocada pelo exterior e no interior é revestida a estuque projectado ou revestimento cerâmico nas zonas húmidas.
Cobertura interior
Cobertura interior constituída por laje com vigotas pré-esforçadas e blocos cerâmicos com 25cm de altura, seguida de camada de material resiliente, isolamento em lã mineral com 60 mm de espessura (condutibilidade térmica 0,042W/(m.ºC)), manga plástica, camada de betão de enchimento armado, e revestimento de piso. A parte inferior da laje é revestida com estuque projectado, e pontualmente com tecto falso em gesso cartonado de 13mm.
Pavimento interior
Pavimento interior constituído por laje aligeirada de blocos de betão leve com 25 cm de altura com isolamento de poliestireno expandido extrudido com 40 mm de espessura (condutibilidade térmica 0,037W/(m.ºC)), seguido de camada de material resiliente, betão de enchimento armado (lajeta flutuante), e revestimento do piso.
• Envolvente Envidraçada
Vãos envidraçados com caixilharia em alumínio com corte térmico, sem classificação relativamente à sua permeabilidade ao ar, com vidro duplo (vidro exterior colorido na massa com 6 mm + lâmina de ar com 12 mm + vidro interior laminado com 3+3 mm), com dispositivos de protecção solar interiores, do tipo portada de madeira de cor escura.
Térmica, Qualidade do ar interior, Auditoria energética
Qualidade do ar interior
O edifício em análise desenvolve-se em três pisos e é constituído por dormitórios, salas de estar de comer, recepção, circulações comuns e outros espaços. Nesta avaliação das concentrações de poluentes foram considerados 6 pontos de medição.
Poluentes analisados para o edifício:
• CO2
• PM10
• CO
• O3
• HCHO
• COVtot
Com base nas medições efectuadas, conclui-se que o edifício se encontra em conformidade regulamentar relativamente aos seguintes poluentes: Partículas suspensas no ar (PM10), Dióxido de Carbono (CO2), Monóxido de Carbono (CO) e Ozono (O3).
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Auditoria energética
• Caracterização de consumos
O edifício em análise utiliza apenas energia eléctrica, que é consumida em quase todas as divisões e equipamentos. Os consumos de energia, com base nas facturas mensais de energia eléctrica disponíveis (Dezembro de 2012 a Setembro de 2013), são apresentados na Tabela 1.
Em 2012, a energia eléctrica foi adquirida à EDP Comercial, com contrato BTE, tarifa tetra-horária, ciclo diário e uma potência contratada de 41,41 kVA. O valor médio do custo da energia eléctrica no PR foi de 0,147 €/kWh.
A caracterização energética de um edifício ou fracção é feita através de um indicador de consumo específico, que, de acordo com o RSECE, é expresso em unidades de energia final ou primária por metro quadrado de área útil por ano (kgep/m2.ano), designado Indicador de Eficiência Energética (IEE).
No mesmo período, o Indicador de Eficiência Energética real (IEEreal) calculado com base no consumo anual de energia e na área útil, apresenta os valores indicados na Tabela 2.
Fazendo uma avaliação simples do edifício no âmbito do Sistema de Certificação Energética de Edifícios (SCE – DL 78/2006), comparou-se o IEEreal com o IEEref1 da tipologia prevista neste regulamento que mais se aproxima da utilização corrente - “Empreendimentos turísticos, quando aplicável, com 3 ou menos estrelas” - definida pelo RSECE (anexo X), onde o IEEref é de 35 kgep/m2.
O IEEreal determinado para o período de referência (43.5 kgep/m2), encontrando-se pouco acima do IEEref, indicando que à partida existem oportunidades de racionalização dos consumos energéticos. Considerando a utilização do edifício, estabeleceu-se também um segundo indicador, designado consumo específico de energia (CEE), determinando o consumo anual de energia por cama ocupada. Considerando que no período de referência foram ocupadas todas as camas disponíveis, o indicador apresenta o valor apresentado na Tabela 3.
O Gráfico 1 apresenta a desagregação do consumo de energia primária (kgep) por tipo de energia.
A desagregação do consumo total de energia eléctrica pelas utilizações finais, determinada com base nos dados recolhidos, é apresentada no Gráfico 2.
• Oportunidades de Melhoria
A análise realizada permitiu verificar que o projecto de requalificação apresentou algumas opções que garantem à partida uma boa qualidade de vida aos residentes, mas que em alguns casos comprometem a eficiência energética e a própria sustentabilidade da residência. Por outro lado, com os elevados investimentos realizados na requalificação, será difícil justificar novos investimentos em medidas de racionalização. Desta forma, foram identificadas algumas oportunidades de racionalização, que se descrevem em seguida.
Aquecimento
A opção de projecto por sistemas de aquecimento individuais com base em aquecimento resistivo tem como vantagens a simplicidade e a robustez, apresentando como desvantagens a baixa eficiência energética e o elevado custo de exploração. Tratando-se de uma obra recente, dificilmente será razoável substituir os sistemas de aquecimento, ficando esta possibilidade para uma futura intervenção. Com os sistemas de aquecimento existentes, garantir uma eficaz formação dos residentes na utilização racional do edifício torna-se uma prioridade, no sentido de evitar custos exagerados na factura de energia eléctrica.
Iluminação
Na iluminação, as maiores oportunidades de racionalização estão associadas por um lado ao distanciamento dos comandos dos circuitos das zonas comuns (a maior parte fechada nos quadros eléctricos) e por outro lado aos comportamentos, que resultam na utilização desnecessária de alguns circuitos de iluminação que acabam por penalizar o consumo energético. Desta forma recomenda-se que seja reforçada a sensibilização dos residentes no sentido de adoptar uma gestão eficaz dos sistemas de iluminação, mantendo ligados apenas os pontos de luz necessários em cada momento. Recomenda-se também que, onde não for tecnicamente complicado, sejam introduzidos sistemas de controlo automático recorrendo a detectores de ocupação para espaços de ocupação temporária e detectores crepusculares para espaços com boa luz natural.
Comportamentos
A sugestão aqui apresentada vai para além da sensibilização, apontando para a preparação de um manual de boas práticas e para acções periódicas (anuais) de formação dos residentes, envolvendo-os na utilização sustentável do edifício. Este manual e as acções de formação deverão integrar a boa gestão dos sistemas com mais impacto nos consumos de energia, nomeadamente através da abertura e fecho das janelas para controlo da ventilação e limitação das perdas de calor, da utilização das portadas interiores para redução das perdas de calor durante a noite, da boa regulação dos programadores dos aquecedores, entre outros aspectos. Aproveitando o esforço de preparação deste manual, deverão ser incluídos outros aspectos associados à boa utilização das restantes infra-estruturas do edifício, nomeadamente iluminação, lavandaria, cozinha, água quente sanitária, entre outros.










