Térmica
Qualidade do ar interior
Auditoria energética
Dados gerais:
Tipologia: serviços - cultural;
Área útil: 1200m2;
Zona climática: I2, V3S;
Orientação solar do alçado principal: Oeste;
Inércia térmica: média.
Térmica
• Envolvente Opaca
Parede exterior 1
Parede exterior com 76cm de espessura, constituída (do interior para o exterior) por: camada de reboco tradicional com 2cm de espessura (condutibilidade térmica de 1,30 W/m.ºC), pano de alvenaria de pedra ordinária com 72cm de espessura (coeficiente de transmissão térmica de 2,27 W/m2.ºC), camada de reboco tradicional com 2cm de espessura (condutibilidade térmica de 1,30 W/m.ºC).
Parede exterior 2
Parede exterior dupla com 46cm de espessura, constituída (do interior para o exterior) por: camada de reboco tradicional com 2cm de espessura (condutibilidade térmica de 1,30 W/m.ºC), pano de alvenaria de tijolo cerâmico furado com 11cm de espessura (resistência térmica de 0,27 m2.ºC/W), caixa-de-ar com 16cm de espessura (resistência térmica de 0,18 m2.ºC/W), pano de alvenaria de tijolo cerâmico furado com 15cm de espessura (resistência térmica de 0,39 m2.ºC/W), camada de reboco tradicional com 2cm de espessura (condutibilidade térmica de 1,30 W/m.ºC).
• Envolvente Envidraçada
Vãos envidraçados com caixilharia de alumínio com corte térmico, sem classificação relativamente à sua permeabilidade ao ar, com vidro duplo incolor (vidro exterior com 8 mm, lâmina de ar com 20 mm e vidro interior com 4 mm, com dispositivos de protecção solar interiores do tipo cortina opaca de cor clara.
Térmica, Qualidade do ar interior, Auditoria energética
Qualidade do ar interior
O edifício em análise desenvolve-se em dois blocos com vários pisos e é constituído sala de dança, auditório, sala polivalente, zona de exposições, gabinetes, recepção, circulações comuns e outros espaços. Nesta avaliação das concentrações de poluentes foram considerados 7 pontos de medição.
Poluentes analisados para o edifício:
• CO2
• PM10
• CO
• O3
• HCHO
• COVtot
Com base nas medições efectuadas, conclui-se que o edifício se encontra em conformidade regulamentar relativamente aos seguintes poluentes: Partículas suspensas no ar (PM10), Dióxido de Carbono (CO2), Monóxido de Carbono (CO), Ozono (O3) e Compostos Orgânicos Voláteis (COV’s).
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Auditoria energética
• Caracterização de consumos
O edifício em análise utiliza energia eléctrica, em todos os sectores e equipamentos. Os consumos globais de energia, com base nos dados de facturas mensais de Dezembro 2011 a Novembro 2012, período de referência (PR), são apresentados na Tabela 1.
A caracterização energética de um edifício ou fracção é feita através de um indicador deconsumo específico, que, de acordo com o RSECE, é expresso em unidades de energia final ou primária por metro quadrado de área útil por ano (kgep/m2.ano), designado Indicador de Eficiência Energética (IEE).
Para o cálculo deste indicador foi considerada a tipologia “Cinemas e Teatros” (retirada do anexo X do RSECE) e a área, dados apresentados na Tabela 2.
O Indicador de Eficiência Energética real (IEEreal) calculado com base nos consumos de energia, apresenta os valores indicados Tabela 3.
O IEEreal determinado (19.11kgep/m2.ano) é inferior ao valor de referência (25 kgep/m2.ano).
O Gráfico 1 apresenta a desagregação do consumo de energia primária (kgep) por tipo de energia.
No período de referência (Dezembro 2011 a Novembro 2012) a energia eléctrica foiadquirida à EDP Serviço Universal, com uma tarifa contratada do tipo BTE, Médias Utilizações, Tetra-Horário, Ciclo diário e uma potência contratada de 105 kW, entre Dezembro 2011 eSetembro 2012 e de 111 kW, a partir de Outubro. O valor médio do custo da energia eléctrica no PR foi de 0,1543 €/kWh.
A desagregação do consumo total de energia pelas utilizações finais, em percentagem, determinada combase nos dados recolhidos à data da auditoria (10 a 17 de Janeiro 2013) e extrapoladas para o período de referência (Dezembro 2011 a Novembro 2012), é apresentada no Gráfico 2.
Os consumos identificados como “serviços gerais”, integram diferentes consumidores, sobretudo iluminação geral, a iluminação cénica, equipamentos alimentados a partir de tomadas e o elevador.
A climatização da grande maioria dos espaços do edifício é realizada por intermédio de bombas de calor, do tipo roof-top, com condensação a ar, estando instaladas 5 unidades deste tipo nas coberturas do edifício. A distribuição do ar tratado aos vários espaços é realizada em condutas isoladas, por intermédio dos ventiladores de insuflação das roof-top. Uma parte do ar é recirculado para as unidades por ventiladores de pequena potência, sendo o ar novo admitido também em cada roof-top. Para além destas unidades principais, está ainda instalado um sistema split a R410, cujas unidades interiores servem o estúdio, os camarins e a sala de tradução, e uma outra unidade (que não foi possível localizar), de apoio à climatização do auditório.
• Oportunidades de melhoria
Tendo em conta que o edifício apresentou no período de referência um nível de consumo relativamente reduzido, quer devido a uma utilização ainda modesta dos espaços, quer pela utilização racional dos recursos, as oportunidades de racionalização são poucas e estão associadas sobretudo à optimização de consumos ao nível da iluminação e, em menor grau, aos sistemas de climatização.
Iluminação
A maioria dos sistemas de iluminação recorre a lâmpadas de halogéneo, solução pouco eficiente e de elevado custo energético. Embora nalguns locais específicos (espaços cénicos, por exemplo), a sua utilização se possa justificar, na maioria das restantes áreas (espaços multifunções, zonas de circulação, átrios, casas de banho, etc.) deverá proceder-se à sua substituição por unidades mais eficientes, do tipo fluorescente compacta ou LED, à semelhança do que já foi efectuado parcialmente no átrio do Piso 0. Com base no número de lâmpadas de halogéneo nestas condições e no seu regime médio de utilização, estima-se que, com esta medida, será possível obter uma redução anual no consumo eléctrico em iluminação, até 9 364 kWh, valorizada em 1 445 Euros/ano. Dada a quantidade de lâmpadas de halogéneo existentes, não será fácil substitui-lastodas em pouco tempo, no entanto estas lâmpadas têm também outro inconveniente, uma curta esperança de vida (~2 000 h), permitindo que possam vir a ser substituídas gradualmente por alternativas mais eficientes e com maiores esperanças de vida (~20 000 horas para as fluorescentes compactas e ~40 000 horas para os LED).
Climatização
Ao nível dos sistemas de climatização identificaram-se duas situações menos correctas, associadas à grande fachada envidraçada do edifício e que contribuem para um aumento dos consumos de energia. Por um lado, o elevado pé direito (superior a 9 m) desta zona envidraçada, não permite que o ar tratado que é projectado pelos difusores colocados no tecto, atinja o nível inferior, pelo que, nos períodos mais frios do ano, recorre-se a termo ventiladores individuais para colmatar esta deficiência; por outro lado, face à orientação (Sul) da envidraçada, os ganhos térmicos são muito elevados durante o Verão, penalizando os consumos das unidades de AVAC. Face às (elaboradas) características arquitectónicas do Edifício, a solução para estes problemas não é “imediata”, devendo ser analisada com o arquitecto e com o projectista do AVAC, pelo que, nesta fase não se quantificam as poupanças de energia que será possível alcançar com eventuais alterações. De igual modo, no auditório deverá também ser avaliada a possibilidade de se alterar o trajecto de circulação do ar, evitando-se a possibilidade de curto-circuito entre a insuflação e a extracção, de modo a atingir-se mais rapidamente uma temperatura de conforto na zona do público (problema que se faz sentir com maior acuidade no período de Inverno), minimizando-se assim os consumos eléctricos do equipamento responsável pela climatização deste espaço.
Energia reactiva
O consumo excessivo de energia reactiva nos períodos fora do vazio (período diurno) tem como consequência uma penalização da factura de energia eléctrica, que nos 12 meses do período de referência ascendeu a 543 €. Este custo poderá ser substancialmente reduzido, ou até eliminado com o investimento em sistemas de compensação de energia reactiva. A configuração de distribuição de energia eléctrica, não ajuda ao dimensionamento da(s) necessária(s) bateria(s) de condensadores. Por isso recomenda-se que assim que sejam estabelecidas as alimentações definitivas aos edifícios, sejam também dimensionados e adquiridos os sistemas de compensação adequados à realidade de cada alimentação, para evitar a penalização da factura de energia eléctrica.










